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Mostrando postagens de março, 2022
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Lições do Cotidiano - Sumário Lições do Cotidiano - Seu Nome https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoes-do-cotidiano-seu-nome-ao-anuncio.html   Lições do Cotidiano - O fogo não queima a si mesmo https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-o-fogo-nao-queima-si.html   Lições do Cotidiano - Vagando pelo reino do esquecimento https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-vagandopelo-reino-do.html   Lições do Cotidiano - Sementes do maracujazeiro https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-sementes-do.html   Lições do Cotidiano - Reino dos Céus na terra https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-reino-dos-ceus-na.html   Lições do Cotidiano - Quando os afetos se tornam amigos https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-quando-os-afetos-se.html   Lições do Cotidiano - A hora da partida https://melquisedecrei.blogspot.com/2022/03/licoesdo-cotidiano-hora-d...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 1 Seu Nome   Ao anúncio do seu Nome, tudo mudou. As areias do deserto se fizeram férteis e cobriram a terra de flores. Fazendo com que a primavera sorrisse além dos oásis. Ali perto, o mar morto se fez doce e suas águas batizaram os peregrinos em busca da salvação. Em tudo, o milagre da vida se revelou simples e transparente.  Não havia mais segredos nas pirâmides do Egito que não contivessem outra coisa além do seu nome.   Ao anúncio do seu Nome, tudo mudou. Três reis das terras distantes ressuscitaram e montaram em seus camelos alados, que os esperavam há mais de dois mil anos. Eles, tão logo subiram mais uma vez ao trono, tomaram a decisão de partir ligeiro para levar oferendas em louvor a terra em que nasceste. Trouxeram óleos sacramentais, incensos despertadores de novos estados de consciência e a boa nova: o seu Nome está entre nós.   Ao anúncio do seu Nome, tudo mudou. As águas do oceano se dividiram em duas, permi...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 2 O fogo não queima a si mesmo   Um peregrino encontra-se com o mestre e lhe revela: Finalmente chegou o dia em que veio a mãe de todas as ondas. Em face de sua força colossal as casas de concreto se fizeram de papel. Vidas se foram, outras fugiram. Viu-se como nunca que do mar não só vinham alimento, poesia e bravura. Também vinham a morte e a destruição de sonhos realizados no cimento e no aço.   Vagando entre os escombros descubro-me sem casa e sem destino. Eu que sempre me enxerguei com um navegante a caminho, revelo-me um peregrino parado no tempo, embora em fuga na alma. Em verdade parece-me, hoje, que nunca fui um verdadeiro peregrino a caminho da fonte de luz, apenas mais um perdido na noite.   Meus referenciais se desmancham sem se opor ao sopro do vento. Muitos dos que eu imaginava que me amavam se foram e os poucos que ficaram estão de partida. Por força do hábito remo, de modo que o meu barco não se acha parado. E assim, o que fa...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 3 Vagando pelo reino do esquecimento   Encontrando-me perdido nos labirintos do sofrimento, e eis que vejo um ancião como se estivesse à minha espera. Nada precisei dizer para que ele soubesse o que eu procurava. Disse-me ele:   Ø A causa do teu sofrimento não é a que imaginas. Nem a menos é semelhante. Ao contrário, e está bem distante do teu racional agora. Não sofres porque amas. Não sofres porque tens medo. Sofres porque buscas a felicidade .   Em face de tão poderosa fala, nada me foi permitido senão ficar à escuta. Por um longo tempo imperou o silêncio, depois a imagem do ancião dispersou-se, mas a sua voz se fez mais presente.   Ø Quando olhares para uma laranjeira, tu pensas que as laranjas são iguais, que é indiferente a escolha. Não é bem assim. Cada uma das laranjas é única. Assim como são todos os seres. Não deves buscar a felicidade, mas sim a tua identidade. O que te faz único é o que pode libertar-te...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 4 Sementes do Maracujazeiro   Como de costume, estávamos voltados ao Mestre, na espera de seus ensinamentos. Não havia ansiedade no ar. Não havia pressa. Era tão bom ouvi-lo, tanto quanto contemplar aquele semblante pacífico e pacificador. Além do mais, beber o silêncio é uma dádiva divina.   Depois de uma longa e, ao mesmo tempo, instantânea pausa, alguém dentre nós falou: Como fazer para vencer a morte?   O Mestre, então, mandou distribuir a cada um de nós um fruto do maracujazeiro. Recebemos um maracujá, recém retirado da árvore, de pele lisa e de cor amarela. Belo, parecia pronto para o consumo, mas não estava.   Em seguida, o Mestre fez distribuir, mais uma vez, a cada um de nós, um fruto do maracujazeiro, bastante envelhecido. A aparência, agora, já não era bela. Ao contrário, era plena de rugas. E assim, podemos ver e experimentar que, na juventude, a pele era lisa e bela; entretanto, no amadurecimento, não é mais...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 5 “A nós descei, divina luz!  A nós descei, divina luz!  Em nossas almas acendei  O amor, o amor de Jesus!   Reino dos Céus na Terra   Era uma tropa de burros. Digamos: pouco numerosa. Ou melhor, de um burro só. E assim, nem fazia poeira. Nem tão pouco, barulho. Arrastava-se nas estradas do sertão como um raio de luz na brecha de uma porta. Nem mesmo destino certo tinha. “Vou para aonde o Pai me levar”, parece ser o ditado mais apropriado a esta procissão vagante, que segue um burrinho que conduz uma Mãe com o seu Filho recém-nascido.   Os moribundos cantam uma ladainha, não sei se para afugentar os animais ferozes e famintos, ou para afugentar o próprio medo da morte. Quem sabe? – Nenhuma destas hipóteses, pois cantam porque gostam de cantar. Em verdade, nem procissão de moribundos ela é. Ao contrário, a aparência engana, é uma caravana de bem-aventurados. Pois segue a mansidão. E também oram, ou melhor, rezam, no di...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 6 Quando os afetos se tornam amigos   Melquisedec fitou os olhos da bem-amada. Tendo vencido todas as batalhas e conquistado o coração da mais bela princesa da terra, tudo de bom e belo lhe era oferecido: um lugar à mesa do palácio, uma vida repleta de luxos. Contudo, seu olhar permanecia fixo, perdido nas planícies dos desertos que atravessara.   Deixara-se ficar quieto; as razões que o coração conhece o comandavam. Manso, pacífico, leve.... Nada lembrava o antigo guerreiro. Outro final se lhe apresentava: poderia montar num cavalo preto, tal qual o mocinho no final de um filme do velho oeste, e partir para novas aventuras. O cavalo ali estava, mas a ele faltavam os afetos indomáveis.   Ficara íntimo em demasia de seus antigos afetos, e assim os domesticara. No seu peito algo batia, mas não mais pulsava. De modo que todos os sentimentos agora atendiam por nomes. Aceitaram ser catalogados e arquivados. Não há abismo maior para um ser do qu...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 7 A hora da partida   Depois de muitas trocas de olhares, abraços, beijos, ternuras, carinhos, e o que de mais há de bom e belo, e que ainda se possa trocar. Então, é comum que se olhe para a companhia de tantos afagos e se pergunte: é ela, a quem eu tanto almejo?   A questão nem se colocaria se não houvesse, além de tantos encontros, também muitos desencontros. São esses momentos de desalinho que nos levam a questionar a natureza do relacionamento.   Vejamos uma descrição sumária das condições dos amantes pela via chamada de projeção do desejo. Nessa via, observa-se, como natural, que no início do relacionamento amoroso o que se vê no outro é aquilo que se deseja que seja visto. Além disso, é natural que os amantes procurem corresponder a essas visões (projeções de desejos). Essa é a origem de todas as paixões (encantamentos) e a causa do posterior desvanecimento do ardor inicial.   Os véus vão caindo, o encanto se vai, e resta o gra...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 8 Quando o amor não mais existe   Muitas vezes, uma história que parecia ser de um grande amor encontra-se em uma encruzilhada. E os amantes se perguntam se vale a pena continuar juntos.   Em geral, isso acontece quando alguém se considera mal-amado. Não só em relação ao que esperava do outro, mas até mesmo em comparação à forma como era amado no início, no primeiro e decisivo encontro. No momento da decisão de construírem uma história em comum.   Não é incomum que aquele que se sente mal-amado deixe de amar o outro amante. Da mesma forma, aquele que ama mal pode não perceber que não amava como era esperado, ou mesmo o quanto poderia amar. E, no momento da ruptura, prometer modificar a intensidade do amor se torna inútil.   Além disso, insistir na continuidade da relação só levará a um distanciamento maior. Aquele que se sente mal-amado logo se sentirá traído na aliança original e poderá até mesmo nutrir sentimentos de ódio.   O ...
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Lições do Cotidiano – Capítulo 9   Sonhos, obrigações e deveres   O peregrino, ao encontrar o mestre, questiona-o: 'Como nunca desistir dos sonhos'? Lembrei-me de algo semelhante que li na orelha de um livro de um especialista em literatura de autoajuda .   Referia-se aos sonhos diurnos, aqueles que nascem como o vento em plena luz do dia. Sentimos sua presença, os sentimos como nossos, mas ignoramos sua origem.   “Nunca desista dos sonhos!" A frase ecoava em meus ouvidos, mas soava distante e irreal. Quais sonhos nutrir quando a vida se resume a um emaranhado de obrigações e deveres? Preso a essa teia, iludo-me em cumprir um destino traçado. Por obrigações entendo os fardos que a vida impõe, os quais não posso evitar. Deveres, por outro lado, são as expectativas sociais que pairam sobre mim, as quais posso escolher abraçar ou não, mesmo que a lei as exija.   Sempre ouvi dizer que sonho é sinônimo de liberdade. Mas, confesso, desconheço essa liberdade. Tudo o...