Lições do Cotidiano – Capítulo 8

Quando o amor não mais existe

 

Muitas vezes, uma história que parecia ser de um grande amor encontra-se em uma encruzilhada. E os amantes se perguntam se vale a pena continuar juntos.

 

Em geral, isso acontece quando alguém se considera mal-amado. Não só em relação ao que esperava do outro, mas até mesmo em comparação à forma como era amado no início, no primeiro e decisivo encontro. No momento da decisão de construírem uma história em comum.

 

Não é incomum que aquele que se sente mal-amado deixe de amar o outro amante. Da mesma forma, aquele que ama mal pode não perceber que não amava como era esperado, ou mesmo o quanto poderia amar. E, no momento da ruptura, prometer modificar a intensidade do amor se torna inútil.

 

Além disso, insistir na continuidade da relação só levará a um distanciamento maior. Aquele que se sente mal-amado logo se sentirá traído na aliança original e poderá até mesmo nutrir sentimentos de ódio.

 

O amor só existe na relação entre dois que se abrem um para o outro. Ninguém ama sozinho. O amor não é um sentimento solitário. Ao contrário da piedade, que pode existir unilateralmente, o amor exige a participação consciente de ambos.

 

O amor é inerente à relação dos que se amam profundamente, pois eles se conectam à fonte da vida. Ele se manifesta como eterno naqueles que se mantêm fiéis à promessa de amar para sempre, transcendendo a existência física. Já nos amantes, a paixão, marcada pela transferência do desejo, pode existir isoladamente, fora da relação duradoura.

 

Lembremos que uma relação amorosa precisa ser constantemente alimentada. Tal qual a chama da paixão, que necessita ser reacendida com novas experiências, conversas e momentos a dois, a intensidade do sentimento pode variar ao longo do tempo, assim como a intensidade de uma fogueira. Em alguns momentos, a chama pode ser mais forte, em outros, mais suave. Se não for alimentado, o fogo se apagará. Assim como o afeto que sensibiliza, ele pode se extinguir se não houver atenção, zelo e apreço.

 

O Evangelho de João apresenta Deus como a manifestação trina: Criador, criatura e amor. E afirma que o amor se manifesta plenamente quando dois se unem em nome de Deus. Ao se unirem, preservando suas individualidades, tornam-se um no amor.

 

Por fim, o amor se desfaz quando a relação amorosa é rompida. Não existe em uma aliança quebrada. Neste momento, resta apenas seguir em frente.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, aos vinte e oito dias do janeiro do ano de dois mil e treze da revelação da Luz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog