Lições do Cotidiano Relatividade da paixão e o absoluto do amor O que se ama pode mudar. O que ama, não. Por Hiran de Melo Existe uma pergunta que só se faz à porta do paraíso — nunca antes. O bem-amado chegou até ali convencido de que já a tinha respondido. Deus é amor, escrevera o apóstolo João, e ele levara a frase como quem leva uma certeza para dentro de casa. Mas o paraíso não recebe certezas emprestadas. Ali, a pergunta volta inteira, como se nunca tivesse sido feita: o amor é absoluto, ou relativo? Talvez a resposta não caiba numa única palavra. Talvez precise de três. A trindade que se repete A divindade se revela de três formas — como criador, como criatura, como relação entre ambos. E o que é revelação lá em cima, repete-se aqui embaixo: também o amor humano se desdobra em três. Na primeira trindade, o amor é fonte. Não se mede, não se gasta, não se interrompe — quanto mais se doa, mais permanece. É o amor que precede qualquer amante, absoluto porque não depende de nin...
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