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Mostrando postagens de outubro, 2025
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  A Voz que Escapa - Confidência sobre Silêncios Digitais Por Hiran de Melo Há tempos venho colecionando fragmentos. Não são frases inteiras, tampouco ideias completas. São pedaços de vozes que chegam até mim — às vezes tarde, às vezes entrecortadas, quase sempre envoltas em silêncio. São mensagens que recebo no WhatsApp, como quem recebe uma garrafa lançada ao mar. E, ao abrir, não sei se o que leio é resposta, desabafo ou apenas ruído. Não há urgência. Há lacunas. Entre o enviar e o receber, entre o abrir e o ler, há um tempo suspenso. Um tempo que não é cronológico, mas existencial. É nesse intervalo que mora o vazio. E é nesse vazio que escuto o outro. Recebi, certa vez, uma mensagem que dizia: “Acho bonita a forma como você se expressa e faz correlação com autores. Meu sonho é escrever assim. Frivolidades ou gêneros literários... Mas por que o grito? É tão assustador, estrondoso... Por que não? Ecos…” Li com cuidado. Respondi com silêncio. Depois com palavras: ...
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A Voz da Humanidade em Nós S obre o grito que mora no silêncio Por Hiran de Melo Existe um grito que não faz barulho nenhum. Ele não balança o ar. Não acorda ninguém. Mora exatamente no lugar onde deveria haver uma voz — e não há. Talvez esse seja o grito mais forte que um ser humano pode dar: aquele que sai quando já não sobra lágrima para chorar, nem ombro para se apoiar, nem ninguém por perto para preencher o vazio que insiste em ficar. O tempo que falta Vivemos correndo. Falamos rápido, respondemos rápido, esquecemos rápido. Mas entre o que a gente diz e o que o outro escuta, sobra sempre um espaço vazio que nenhuma pressa consegue apagar. É nesse espaço que mora tudo o que não coube na pressa do dia. É ali, nesse intervalo, que o ser humano ainda respira de verdade. Talvez seja por isso que tantas conversas de hoje pareçam frases cortadas: começam, param no meio, esperam um tempo que talvez nunca chegue. Não é porque as pessoas pararam de sentir. É porque aprenderam a ...
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  Tolices do cotidiano Por Hiran de Melo Nasci na Maternidade Municipal Elpídio de Almeida — ou, pelo menos, é o que dizem. O prédio permanece o mesmo, assim como o pátio que o cerca. O tempo, ali, parece ter respeitado a forma, embora talvez tenha mexido no conteúdo. A parteira foi dona Edna, a mesma que, anos depois, acolheu minhas duas filhas do primeiro matrimônio. Outros vieram depois, como frutos que amadurecem em estações distintas. Fui criado numa casa grande, generosa para os padrões da época. Havia muitas dependências, e eu transitava por todas, mas era no quarto — aquele pequeno território de estudo, brincadeira e sono — que minha infância se concentrava. Talvez tenha sido ali que nasceu minha obsessão por espaços amplos, como se o tamanho da casa pudesse conter o tamanho dos sonhos, ou compensar os vazios que a vida vai deixando. Essa mania me acompanhou por décadas. Morei em casas maiores do que minhas necessidades, maiores do que os afetos que nelas cabiam. E,...