Lições do Cotidiano – Capítulo 4

Sementes do Maracujazeiro

 

Como de costume, estávamos voltados ao Mestre, na espera de seus ensinamentos. Não havia ansiedade no ar. Não havia pressa. Era tão bom ouvi-lo, tanto quanto contemplar aquele semblante pacífico e pacificador. Além do mais, beber o silêncio é uma dádiva divina.

 

Depois de uma longa e, ao mesmo tempo, instantânea pausa, alguém dentre nós falou: Como fazer para vencer a morte?

 

O Mestre, então, mandou distribuir a cada um de nós um fruto do maracujazeiro. Recebemos um maracujá, recém retirado da árvore, de pele lisa e de cor amarela. Belo, parecia pronto para o consumo, mas não estava.

 

Em seguida, o Mestre fez distribuir, mais uma vez, a cada um de nós, um fruto do maracujazeiro, bastante envelhecido. A aparência, agora, já não era bela. Ao contrário, era plena de rugas. E assim, podemos ver e experimentar que, na juventude, a pele era lisa e bela; entretanto, no amadurecimento, não é mais para a pele que se deve olhar, mas para a delícia da substância que envolve as sementes existentes no interior do maracujá.

 

Aliás, também ali estava a resposta. A morte não é para ser vencida. Ela é uma grande parceira da vida, sem ela não há como novas manifestações desta se apresentarem.

 

Ficamos imaginando o que seria de nossa existência se o envelhecimento um dia não tivesse fim. Sim, é possível que implorássemos à senhora Morte que fizesse seu trabalho de parteira.

 

Por fim, todos nós compreendemos que, em verdade, a vida nunca se vai, mas apenas se apresenta em novas formas. E para tanto, é necessário que a antiga morra. Para descobrir a semente, é necessário que a fruta morra; para que a árvore nasça, é preciso que a semente pereça.

 

Em um entardecer tão mágico, tomamos suco de maracujá e voltamos para casa, felizes.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, vinte e um dias de outubro do ano de dois mil e treze da revelação do Sabor da Vida.  

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