Lições do Cotidiano – Capítulo 12

Relatividade da paixão e o absoluto do
amor
Chegando à
porta do paraíso, o bem-amado se depara com uma questão crucial: o amor é
absoluto ou relativo? Afinal, o amor é a mais sublime manifestação da
divindade, como afirma o apóstolo João: 'Deus é amor'.
Entretanto, a
questão não é tão simples assim. A divindade se manifesta de três formas: como
criador, criatura e na relação entre ambos. Essa mesma trindade se reflete na
relação entre o bem-amado e a bem-amada.
Na primeira trindade, o Amor é absoluto e infinito,
transcendendo qualquer medida ou limite temporal. O amor divino é uma fonte
inesgotável, que se multiplica com a doação.
Na segunda
trindade, o amor parece ser mais relativo, dependendo da presença e da vontade
dos amantes. A relação entre os amantes, por sua vez, é frágil e pode ser
interrompida a qualquer momento. Enquanto o amor divino é eterno e
incondicional, o amor humano é frequentemente condicionado por fatores externos
e pela vontade dos indivíduos.
Essa aparente relatividade se deve ao fato de
estarmos considerando amantes, e não bem-amados. A paixão, presente na relação
entre amantes, é por natureza transitória, relativa e finita. A paixão, ao
contrário do amor, é um sentimento intenso, mas efêmero. É condicionada por
fatores externos e pela intensidade do momento. Enquanto a paixão é marcada
pela intensidade e pela busca pela satisfação pessoal, o amor é caracterizado
pela entrega e pela busca pelo bem-estar do outro.
À porta do paraíso, o bem-amado ouviu revelações que
o deixaram profundamente abalado. Alguém lhe falava de um amor condicionado por
escolhas, conveniências e interesses pessoais. Um amor que se baseava em
cálculos, em vez de em sentimentos genuínos. Era como se o amor tivesse sido
reduzido a uma transação, onde se ganha e se perde. Essas revelações lançaram
uma sombra sobre o conceito de amor que ele havia cultivado.
Parado à porta do paraíso, ele sentiu que era inútil
discutir. A opinião do outro já estava arraigada, e qualquer debate seria
infrutífero. O bem-amado percebeu a futilidade de tentar mudar a perspectiva do
outro. Ele compreendeu que o amor verdadeiro não se resume a desejos e
vontades, mas a uma conexão profunda e duradoura. A terceira trindade
representa um amor eterno e incondicional, que transcende as limitações da
paixão.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro
Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 18 de abril
do ano 2013 do anúncio da Presença do Nome entre nós.
Anexo: Nota após revisão
O
texto convida uma reflexão profunda sobre a natureza do amor, explorando as
nuances entre a paixão e o amor verdadeiro.
Elementos-chave
ü A Trindade do Amor
- O texto estabelece uma interessante
analogia entre a trindade divina (criador, criatura e relação entre ambos) e as
diferentes manifestações do amor: o amor divino (absoluto), o amor humano
(relativo) e a relação entre os amantes (paixão).
ü Paixão X Amor - A distinção
entre paixão e amor é central no texto. A paixão é vista como um sentimento
intenso, mas transitório, condicionado por fatores externos. Já o amor é
apresentado como uma conexão profunda e duradoura, caracterizada pela entrega e
pelo bem-estar do outro.
ü Relatividade e
Absolutismo - O texto explora a tensão entre a
natureza relativa da paixão e o caráter absoluto do amor divino. A paixão é
influenciada por circunstâncias e desejos pessoais, enquanto o amor verdadeiro
transcende essas limitações.
ü A Questão do
Paraíso - A porta do paraíso serve como um
cenário metafórico para a busca pela compreensão do amor. O encontro com uma
visão distorcida do amor levanta questionamentos sobre a natureza da
experiência amorosa.
ü A Futilidade do
Debate - O protagonista reconhece a
futilidade de tentar convencer o outro sobre a natureza do amor verdadeiro. A
compreensão profunda do amor é uma jornada individual.
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