Utopia Subjacente – Capítulo 4

Vícios e Defeitos

 

Desde o tempo mais remoto, perdido nas brumas da memória sofrida, ouço uma voz que se renova a cada instante, dizendo: “Meu irmão não tem defeito”. É claro que todos nós temos defeitos. No entanto, a afirmação de que o irmão não possui defeito revela grande sabedoria.

 

Plena, porque o que não tem jeito já está por si mesmo resolvido. Se nasci com um defeito, ou mais, certamente irei morrer com ele, quer eu queira ou não. E meu irmão é aquele que me acolhe do defeito que sou e, portanto, me aceita sem reservas.

 

A meu irmão é permitido até me lembrar do tal defeito e que tente até me ajudar a superá-lo. Todavia, não lhe é permitido se esquivar de me defender quando for publicamente acusado ou agredido por causa dele.

 

Agora, é bom lembrar que há uma diferença entre defeito e vício. Você nasce com o defeito, mas o vício é adquirido. Uma pessoa pode ter nascido um pouco boba e, mesmo assim, ter a tendência de se imaginar esperta. Não há muito o que fazer nesse caso. Agora, se ela nasceu inteligente e finge ser esperta, a situação é bem diferente e perigosa.

 

O esperto é aquele que sempre busca tirar vantagens de tudo, com o mínimo de esforço, geralmente explorando a boa-fé dos outros. É claro que essa esperteza é um vício que precisa ser combatido, pois causa danos à sociedade.

 

É importante lembrar que a “esperteza” do bobo é sempre evidente e até cômica, não enganando ninguém por muito tempo. Já a esperteza do inteligente age nas sombras. No primeiro caso, temos um defeito quase inalterável; no segundo, um vício que exige uma luta intensa.

 

Durante muitos anos, ouvi dizer que deveríamos aprisionar os vícios e exaltar as virtudes. No entanto, comecei a questionar essa abordagem. Acredito que prender os vícios possa, na verdade, fortalecê-los. Hoje, penso que a melhor estratégia é enfrentá-los diretamente e abertamente, travando o que os antigos místicos chamavam de "bom combate".

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, quatorze dias do mês de novembro de 2012 da revelação da Luz do Cristo.

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