Utopia Subjacente – Capítulo 2

Por que somos presos ao tempo?

 

Em uma certa manhã, uma amiga me fez uma pergunta que quase explicitava a resposta: "Por que somos tão presos ao tempo? Por que somos tão dependentes dele?" São tantas as respostas sugeridas para essas questões que me proponho a investigar outra, correlata: o que, em nós, está preso ao tempo?

 

Nosso corpo material é a primeira coisa em nós a ser presa ao tempo. Sua própria dinâmica ocorre ao longo de uma quarta dimensão, o tempo. O corpo humano não se limita às três dimensões espaciais, pois está em constante transformação. A cada instante, ele se modifica, exigindo que o tempo seja considerado como uma condição essencial para descrever sua evolução e movimento.

 

Nossa alma, ou psique, é a segunda coisa em nós a ser presa ao tempo. Moldada por nossas experiências e decisões, ela evolui e se transforma ao longo da vida. Enquanto o corpo físico está sujeito às leis da natureza, a alma carrega as marcas de nossa história. Em contrapartida, o espírito que habita em cada um de nós é eterno e imutável em sua essência divina. No entanto, cada espírito possui uma individualidade única, como uma gota d'água que se une ao oceano, mas mantém sua própria identidade.

 

A alma, embora imortal, carrega consigo as marcas de sua jornada. Assim como o corpo acumula cicatrizes, a alma registra as experiências vividas, moldando sua identidade ao longo do tempo. Essa natureza histórica a diferencia do espírito, que é eterno e imutável em sua essência divina. As cicatrizes da alma, no entanto, não são apenas marcas de sofrimento, mas também de crescimento e aprendizado, testemunhando a jornada da alma em direção à sua própria realização.

 

Entre a alma e o espírito, há um constante diálogo, marcado tanto pela harmonia quanto pelo conflito. O espírito, em sua essência divina, convida-nos a ser, a experimentar a plenitude da existência. A alma, por sua vez, presa aos desejos terrenos, busca incessantemente o ter, buscando na posse a completude que apenas o Ser pode proporcionar. Esse conflito interno, entre o desejo de ser e o desejo de ter, é a própria essência da experiência humana.

 

Por que somos tão presos e dependentes do tempo? Pois, enquanto seres culturais, nos alimentamos da árvore do conhecimento, buscando incessantemente expandir nossos horizontes. No entanto, essa busca muitas vezes nos afasta da fonte da vida, deixando-nos desconectados de nossa essência divina. Em nosso interior, porém, persiste um chamado ancestral, um convite a retornar à árvore da vida e reconectar-nos com o que há de mais sagrado em nós.

 

E o que há de divino em nós? Segundo o apóstolo João, é o amor. Pois é o amor que nos convida à vida eterna, transcendendo a morte. A morte, nesse sentido, não é o fim, mas sim uma parteira que, com um sorriso, nos auxilia a dar à luz a nossa verdadeira essência. Ao nos separar do mundo material, a morte nos aproxima da vida eterna, onde o amor é a força que nos une ao divino.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, aos doze dias do mês de novembro do ano de 2013 da revelação do nome de Deus.

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