Utopia Subjacente – Capítulo 5

O primeiro beijo

 

Agora que você sabe quem eu sou, e sou todo seu, no instante em que você me beija, o que seremos nós? Seres cujos desejos foram saciados, ou substituídos por novos, ou, ainda, cuja realização se tornou eterna? E nesta eternidade, nos possuímos e nos desejamos cada vez mais no desejo mútuo?

 

Os diversos caminhos percorridos por cada um de nós, antes do primeiro beijo, são as chaves da resposta. Contudo, não são suficientes para nortear nossa nova jornada. A história de amor que iremos viver dependerá em muito do quanto respeitamos nossas individualidades, nossas inteirezas únicas. Sabemos que o único desejo insaciável é o de estarmos sempre juntos. Uma vez que as obrigações profanas nos obrigam a momentos de separação, cada um destes momentos alimentará o desejo de estarmos voltados um para o outro, em nosso universo sagrado.

 

Conta muito como atravessamos o deserto para chegar ao oásis que em cada um de nós existe. Atravesso-o, abençoando e dando graça ao Pai por ele ser o caminho que me leva a você. Ademais, as águas que emergem da minha pele ao cair nas areias do deserto, santificam o caminho para sempre.

 

Além de tudo isso, conta muito, definitivamente, o quanto nós nos gostamos no primeiro beijo. O primeiro beijo que, de tão belo, bom e delicioso, se prolonga em uma sequência de beijos sem interrupção. Na continuidade dos beijos se encerra o mistério que nos faz passar do múltiplo para o Um. Senti-me UM com você. Senti você UM comigo. Nesta unidade, a síntese revelada na palavra nós. A síntese anunciada em todas as Tradições como o terceiro incluído. A trina manifestação divina criadora do cosmo no humano: a bem-amada, o bem-amado e o amor. Beijo humano, nunca demasiadamente humano.

 

O lugar onde ocorrerá o primeiro beijo também será escolhido pela mão divina. Percorreremos a via sacra e pararemos no pátio santificado pela presença de Francisco de Assis. Lá reinará a paz serena dos jardins cultivados pela dedicação permanente de frades benditos. A nossa frente, um templo cujas portas se abrirão um dia para nos acolher como casal unido mediante o amor, a benção da Igreja e o matrimônio sacramental.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 28 de julho do ano 2012 da revelação que somos todos filhos de um mesmo Pai no Cristo.

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