Utopia Subjacente – Capítulo 7

O caminho que me leva a você

 

Na travessia do deserto, nunca se sabe o que é mais difícil. Tudo é muito difícil, no limite do realizável. Até mesmo contemplar a beleza do caminho pode cegar. Nas horas mais quentes, vejo um lago azul que me chama e vai desaparecendo na medida em que me aproximo para mergulhar. A semelhança da miragem de ter encontrado a bem-amada na amiga mais amiga é evidente. Pois, na medida em que se vai ao encontro desta ilusão, se perde a amiga e a bem-amada não está lá.

 

Na travessia do deserto, apreendemos a urgente necessidade de estabelecer uma aliança. Melhor ter o caminho como aliado do que como inimigo, que retarda a chegada ao oásis. Nada acontece contra o meu propósito de alcançar o objetivo. O deserto se apresenta a todos da forma como ele é em si mesmo. Entretanto, se estabelecida uma aliança no desejo de amar, o deserto estará a meu favor; ele é o caminho. Na ausência do desejo, é difícil alcançar o amor.

 

Depois de um calor abrasador, sinto frio. Não estou com febre, mas é como se estivesse. Meu corpo estremece e minha alma também. A descoberta de que estou a caminho agora, que embora pareça que eu esteja perdido entre dunas móveis, em verdade sinto que estou a caminho de você. Nesta visão que o deserto me proporciona, tudo estremece e se transforma em mim. Sinto que esse tremor me conforta e anuncia que, embora difícil, alcançar o amor é possível.

 

Na travessia do deserto, o sol e a areia, trazida pelo vento, escavam a minha alma na medida em que ferem o meu corpo. A escavação é lenta, mas, como é permanente, ela se faz profunda. Escavando um leito para que brote um rio de água viva, o amor, esta escavação é semelhante ao trabalho do maçom que utiliza o cinzel para retirar da pedra bruta os entulhos que escondem a obra de arte, a perfeição já existente no interior. Então, o deserto me esculpe, transformando a minha pedra bruta em pedra polida, pronta para se encaixar em outra pedra, pronta para a construção da morada do amor.

 

Chego à sua presença como tenda de Cedar, envelhecido e cansado. Trago meu ser como pavilhão de Salma, em festa para ouvir e cantar, envolvido por seu corpo inteiro, o cântico dos cânticos. Sou seu e você sabe que somos um.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 28 de julho do ano 2012 da revelação da luz em Jesus.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog