Utopia Subjacente – Capítulo 10
A família contemporânea
É
costume, em nossa augusta oficina, assegurarmos que a Maçonaria defende a
família. Como a Maçonaria é uma utopia que possui alguns séculos sem alterações
nos seus fundamentos, enquanto que o conceito de família vem se modificando,
cabe então a questão: qual a família que a Maçonaria defende?
Não
é uma resposta fácil, especialmente na contemporaneidade, em que muitos valores
são questionados. Começando pelo pré-requisito de que uma família se inicia em
um relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher, observamos, além dos
julgamentos morais, a existência atual de núcleos familiares, com
características familiares, formados por duas pessoas do mesmo sexo. Inclusive
com a presença de filhos adotivos ou concebidos por meio de técnicas de
reprodução assistida, com o auxílio de uma barriga de aluguel.
Precisamos,
também, esclarecer que este texto tem como objetivo principal iniciar um
diálogo entre os membros de nossa Augusta Oficina. Este tema será aprofundado
durante o período de instrução da próxima sessão. Agradecemos antecipadamente
qualquer contribuição, de maçons ou não, que possa enriquecer nossa
compreensão.
Se
falamos em defesa da família, pressupomos que ela precisa de proteção e que
enfrenta desafios tanto internos quanto externos.
Antigamente,
acreditava-se que a maior ameaça à família ocorria quando o vínculo amoroso
entre o casal se fragilizava. Hoje, essa situação não é mais vista com tanto
alarmismo. No entanto, comecemos por analisar os laços que unem os membros de
uma família.
Sem
adentrar na discussão sobre preferências sexuais, e utilizando a linguagem
tradicional para facilitar a compreensão, vamos nos concentrar na questão
fundamental: o que motiva duas pessoas a se unirem em casamento e formar uma
família? A resposta que nos interessa, neste momento, está no amor, na
existência de um vínculo afetivo entre elas. Mas, afinal, o que é o amor?
Que
resposta difícil de encontrar!
Na
verdade, existem diversas formas de expressar o amor. Vejamos algumas: "Eu
te amo porque sinto um desejo intenso de estar contigo". "Eu te amo
porque me sinto feliz nos teus braços, na tua companhia". "Eu escolhi
te amar e você merece esse amor". São apenas alguns exemplos, mas já nos
mostram a complexidade do sentimento amoroso.
Nos
três exemplos citados, identificamos distintas concepções do amor. Amar pode
ser visto como um desejo de preencher uma falta, como a alegria encontrada na
companhia do outro ou como um ato de doação e cuidado. Essas três perspectivas,
presentes em nossas vidas contemporâneas, encontram suas raízes nas filosofias
de Platão, Aristóteles e Jesus, respectivamente. É importante ressaltar que
essas concepções não são excludentes, e o amor pode manifestar-se de diversas
formas, combinando esses diferentes aspectos.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, no da volta para casa, depois do Carnaval Brasileiro de 2014.
Comentários
Postar um comentário