Utopia Subjacente – Capítulo 11


Construtores de Templos

 

Faço parte de uma sociedade de construtores de templos, em honra ao Grande Arquiteto do Universo. A sociedade é composta por oficinas de obreiros. Pessoalmente, já dirigi quatro dessas oficinas.

 

Depois de muitos anos dedicados a este trabalho, é justo que me questione sobre o meu fazer. O faço mediante uma alegoria, o que é próprio da nossa sociedade.

 

Vejo um mendicante diante do Grande Rei, o maior soberano de toda a Terra. O mendicante contempla a Majestade que tem de tudo, pode tudo e se pergunta: o que eu, que nada tenho, posso oferecer ao Grande Rei para a sua Glória?

 

Não encontrando melhor resposta, junta-se a outros mendicantes e passam a construir um edifício em honra à Majestade de toda a Terra.

 

Imagino-me contemplando o Grande Arquiteto do Universo, questionando-me sobre como posso contribuir para a Glória da Majestade Universal.

 

Encontro-me oferecendo a mesma resposta do mendicante: a construção de templos.

 

A questão que se coloca é: qual a eficácia dessas construções? Como podem esses templos exaltar ainda mais a Glória de quem já é, por definição, glorioso?

 

Se os edifícios fossem o único objetivo da construção, a resposta seria evidente: nenhuma. No entanto, essa construção coletiva é apenas um meio para fomentar as construções individuais e espirituais de cada obreiro. Pois, cada obreiro constrói, simultaneamente, seu Templo Interior, a verdadeira morada do eterno.

 

A Ordem Maçônica oferece um único caminho: a construção de templos. Os obreiros, reunidos em oficina, têm como objetivo primordial a construção de templos. Tanto o templo material, construído coletivamente em um ambiente de fraternidade, liberdade e igualdade, quanto o templo interior, edificado individualmente, são focos de nosso trabalho.

 

Uma vez concluído o templo exterior, surge uma nova missão: preservá-lo com empenho e zelo. Essa nova missão é, na verdade, a continuação natural da primeira, pois construir e preservar são ações indissociáveis.

 

Paralelamente, a construção do templo interior é um processo contínuo, que se estende por toda a vida do obreiro.

 

No momento de sua transição, este templo se revelará ao obreiro como o verdadeiro veículo para a eternidade. Assim como a gota d'água se une ao oceano e se torna parte dele, o obreiro se unirá ao Todo e encontrará sua verdadeira essência.

 

Ao contemplar essa visão integrada, compreendo que sem ela, toda a jornada se torna vazia. Reduzir-se-ia a uma mera representação, uma farsa sem propósito, um jogo sem sentido.

 

Assim, retomando a alegoria do mendicante, podemos afirmar que sua contribuição para a Glória do Grande Rei reside na participação ativa na construção coletiva e na constante luta contra os próprios vícios, a fim de fortalecer as virtudes que nos conduzem ao bem.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 18 de julho de 2009 da Revelação do Cristo.

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