Utopia Subjacente – Capítulo 9

O nome do Pai e as faces do humano

 

Seu nome transcende a mera condição de palavra; é um marco nominativo escolhido para demarcar seus limites e seus pontos de referência. Comumente, os pais o selecionam para acolher o filho esperado, na esperança de que ele seja abençoado, tendo o nome como garantia. Ademais, é a palavra por meio da qual se recebe o batismo divino, ministrado por um sacerdote sagrado. O nome é o semblante da essência que habita em você.

 

É comum a substituição do nome próprio por um apelido, que pode ser depreciativo ou, em contextos de intimidade, carinhoso. Nesses casos, o apelido, embora não divulgado publicamente, é temporário e circunstancial, ao passo que o nome é permanente. Há também aqueles que optam por um apelido, em detrimento do nome de origem, por não se reconhecerem nele, transformando o apelido em sua identidade fundamental.

 

Entre os inúmeros casos, detenho-me sobre aquele que conduz uma herança. A palavra que nomeia um santo, um ídolo, um herói..., ou o nome do pai, que lhe foi dada como herança, sendo esta a sua face mais visível.

 

Qual o nome do Pai? - O Pai e eu somos um, mas o Pai é maior. Disse Jesus. O nome do pai é o meu nome, diria você, na tradição cristã. O pai, cujo nome e ações transcendem a minha existência, amplia a sua obra na minha, e eu a amplio na do meu filho, que levará o meu nome.

 

Qual a palavra que nomeia sua face mais íntima? Não sei qual a resposta que daria o Filho do Homem. Seria diferente daquela que foi dada pelo Filho de Deus? - Minha face mais íntima leva o nome de sua face, diria você? No outro, revelo minha face. Na relação com o Outro, é que manifesto o mais íntimo de mim, diria Lacan.

 

Digo que meu nome carrega a imensidão de uma lenda que perpetua o caminho da honra e do mérito, marcando-me como o escolhido. Meu pai escolheu meu nome, e eu não o trocaria por outro.

 

Um só nome, duas faces? Não! Apenas um nome, mesmo que a outra face seja diferente da que foi ofendida. A outra face expulsa os mercadores do Templo Sagrado, que é a casa simbólica do meu Pai, com chicotes e espadas, com sangue e fúria. Uma face tolera o mal, a outra o enfrenta com fervor. Duas faces, um nome e um ser que sou eu no Eu Sou.

 

Não foi meu pai, nem o seu, quem escolheu o nome. Foi a serpente, aliciando Eva, que ofereceu a escolha do nome como arma para destruir o vínculo entre vocês. Batalhas foram travadas, lágrimas rolaram e fertilizaram a terra, e assim, novos filhos nascerão, Guerreiros do Bem, construtores de uma sociedade cada vez mais justa e amável.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 28 de dezembro do ano 2013 da Revelação do Existência do Sol Invencível que habita o melhor de cada um de nós.

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