Segredos Revelados – Capítulo 2


Quando o perdão se fez presente

 

Quando o perdão não mais se fez possível, já havia uma decisão a favor da separação. No outro mundo, os deuses fizeram a festa da vitória do medo sobre o amor. Quando o sorriso, nos lábios de quem partira, era de deboche, os deuses do outro mundo dançaram à glória.

 

Quando o perdão se fez ausente, não havia nada mais o que fazer, além de chorar. E dessas lágrimas, banhando a terra, chegou a fertilidade ao deserto, e nesse novo cenário, um novo olhar se revelou.

 

Na Terra, os eleitos viram um novo sorriso florescer ao raiar do dia. Nos Céus, o Pai, com um sorriso transcendental, confirmou à princesa que a espera havia chegado ao fim.

 

A filha agradecida acolheu o bem-amado que lhe batia à porta, embora não o reconhecesse de imediato. Esperava alguém vestido de príncipe, e ali estava um mendigo queimado pelo sol. – Por quais mares ou desertos teria ele passado? Será que a profecia se cumpriria e o seu beijo transformaria o mendigo em um príncipe?

 

É bem verdade que sua razão a encheu de dúvidas. Embora seu coração, de menina, desejasse ardentemente acreditar em seu poder de transformar as cinzas em uma bela e grandiosa árvore. Por que o destino lhe reservara mais uma prova de coragem? Por que seus olhos queriam ver uma coisa e seu coração, outra?

 

Quando o perdão se fez presente, a princesa compreendeu que o alguém que batia à sua porta era exatamente quem ela mais esperava. Transbordando de alegria, correu ao armário e resgatou os brinquedos de sua infância. Chegara a hora de dar vida ao mundo que sempre viveu em seu coração. Abandonando as ilusões impostas pelo mundo, ela se libertou para amar incondicionalmente.

 

Quando o perdão se fez presente, os tambores do outro mundo se calaram de repente. Lá, os deuses não tinham mais o que celebrar. Surpresos, sentiram a dor da ressaca. Dos mares celestiais, ecoou mais uma vez a canção eterna do amor, renovando tudo de bom e ressuscitando a beleza.

 

Quando o perdão se fez presente e a harmonia dos cânticos dos anjos celestiais calou os tambores dos deuses da guerra, um perfume de criança banhou a terra dos seres humanos e tornou imortal todo aquele que acreditou no amor.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 15 de outubro do ano de dois mil e doze da revelação da Luz do Cristo.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog