Da
Expulsão do Paraíso ao Trono de Deus
Ele fora expulso do paraíso e jogado em um mundo com tanta luz que de imediato lhe cegaram os olhos. O ar entrou nas suas narinas pela primeira vez lhe revelando o sentido da dor. E assim, deu o
seu grito primeiro e fez todos felizes. Ele sobreviveu à
passagem pelo portal. Sua mãe
sorriu aliviada. O seu pai
abraçou a todos e chorou de alegria.
Tudo lhe era estranho, mas não sentiu medo. Esse era um sentimento que ele não trouxera do paraíso;
teria de descobrir aqui, na terra dos estrangeiros que se diziam seus
familiares. Como não sentia medo, foi acolhido e proclamado como o símbolo vivo
do amor. Seu primeiro sorriso foi anunciado como a face de Deus.
O amor, acolhido como o contrário do medo, foi
revelado na expulsão do paraíso do filho criado. E como cada um dos estranhos
também fora expulso, todos se reconheceram filhos de Deus, irmãos com um mesmo
Pai nos céus. A grande revelação, escondida pelos doutores da lei – o semblante
de Deus está no sorriso de uma criança e Deus é Pai –, agora era do
conhecimento de todos.
Os profetas haviam sido contrariados ao anunciarem
que Deus revelaria o seu semblante em um messias. Estava tudo ao contrário.
Deus revela incessantemente a sua face em cada sorriso de uma criança
recém-nascida. A cada novo nascimento de uma criança, é anunciado ao
mundo: Deus está entre nós!
A identificação foi imediata. Deus é amor. Deus é
amor que se faz presença na relação entre dois amantes. Deus é o terceiro
incluído entre dois. O que está no vazio dos dois. Assim a apreensão da
presença de Deus se faz na trindade.
No Deserto do Egito foi proclamado que Deus está na
relação entre os Deuses Ísis e Osíris que resulta no nascimento do Deus Filho –
filho dos deuses amorosos. No Deserto da Judeia, sob o domínio da paz
romana, foi revelado aos eleitos que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
Mas, logo o símbolo do Amor revela a outra face da
mesma moeda. Ele é todo amor, não tem medo, logo é livre e faz o que é proibido
nas leis dos velhos doutores. Entretanto os pais, os familiares, a escola, o
hospital, as entidades civis e militares, todos – mais cedo ou mais tarde - se
opõem a esta liberdade. É preciso obedecer, acatar os limites das regras
escritas ou não. E assim Ele se descobre humano e ora para a vinda do Deus
libertador. Entretanto, mais uma vez é contrariado e lhes oferecem a presença
do Deus consolador.
Por fim: para que Ele não esquecesse a condição
humana, foi erguido pregado em uma cruz e lá, em um último suspiro, Ele
entregou em definitivo a sua VIDA a vontade de Deus. Dizem que neste momento o
céu chorou fertilizando o deserto e a esperança ressurgiu nos corações dos
pobres em espírito.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 28 de novembro de 2012 da Revelação do Cristo.
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