Segredos Revelados – Capítulo 8


Da busca da bem-amada ao despertar do bem-amado

 

Busquei a bem-amada em todos os lugares. Foram noites e dias de incessante busca. Mas, jamais poderia encontrá-la, os olhos estavam fechados para a luz que vinha do interior. Na minha busca eu só tinha olhos para a sombra que vinha de fora. Até que o sofrimento me fez cego aos desejos carnais, cego à beleza externa e fugaz.

 

Procurei a bem-amada em todas as canções. Foram noites e dias de incessante audição. Mas jamais a encontraria, os ouvidos estavam fechados para a música que vinha do interior. Na minha procura eu só tinha ouvidos para o som que vinha de fora. Até que o sofrimento me fez surdo aos desejos carnais, surdo à força externa e efêmera.

 

Esforcei-me para achar a bem-amada em todos os perfumes. Foram noites e dias incessantemente respirando os perfumes exalados pelas flores-mulheres. Mas, jamais poderia achá-la, o olfato estava fechado para o perfume que vinha do interior. No meu esforço eu só tinha olfato para o cheiro que vinha de fora. Até que o sofrimento me fez anósmico aos prazeres carnais, insensível à leveza externa e ligeira.

 

Pesquisei a bem-amada em todos os sabores. Foram noites e dias de incessante degustação. Mas, jamais poderia degustá-la, o paladar estava fechado para o sabor que vinha do interior. Na minha pesquisa eu só tinha paladar para o gosto que vinha de fora. Até que o sofrimento me fez insensível aos desejos carnais, ao alimento externo e veloz.

 

Tateei a amada em todos os corpos. Foram noites e dias incessantemente tocando belas esculturas-mulheres. Mas, jamais poderia tateá-la, o tato estava fechado para o toque que vinha do interior. No meu tateio eu só tinha tato para a estrutura que vinha de fora. Até que o sofrimento me fez insensível aos desejos carnais, ao contentamento externo e passageiro.

 

Quando todas as tentativas foram em vão, aquietei-me exausto permitindo que todos os cinco sentidos me abandonassem. Aceitando tudo como perdido, eu vi ao longe uma estrela que me pegou pelo braço e me elevou às nuvens e de lá para a terra prometida.

 

o   Foi, então, que o olhar da bem-amada me fez ver a luz dos meus olhos nos olhos dela.

 

o   Na fala, ouvi a canção amorosa da minha alma na voz dela.

 

o   No beijo, saboreei a delícia da vida contida no Um que nos tornamos.

 

o   Ao respirar o ar saído do nariz da mais que amada, senti a fragrância do meu próprio perfume natural.

 

o   Quando as mãos da bem-amada tocaram o meu corpo, aprendi como o meu ser deveria tocá-la. 

 

Assim, ao perder todos os meus sentidos antigos, encontrei o sentido da vida em sua presença.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 30 de julho de 2012 da revelação que somos todos filhos de um mesmo Pai no Cristo.

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