Segredos Revelados – Capítulo 9


As flores do mal

 

O moribundo, em seu último suspiro, tem algo a dizer. O ressuscitado, em seu primeiro alento, também. Um fala do passado, o outro, do futuro. Ambos merecem ser ouvidos. Aquele, arrependido do que deixou de fazer; este, esperançoso com o que fará.

 

O moribundo ao contemplar o sono eterno grita que deseja dormir menos, brincar mais. E consegue ainda divertir os que lhe assistem com relâmpago de vivacidade que a inteligência lhe permite. O ressuscitado, por sua vez, contempla o mundo com olhos novos, como se o visse pela primeira vez. A cada passo, descobre novas belezas e sente uma profunda gratidão pela vida.

 

Presenciei um diálogo. Ao ser recebido em um hospital do qual não mais sairia vivo, o moribundo foi questionado pela doutora de plantão: “Que tens?”.

 

Suavemente, ele respondeu: “Tenho um celular usado”. Indiferente à ironia, mas tentando manter a postura profissional, a autoridade médica insistiu: “Que sentes?”.

 

O moribundo sorriu pela última vez e disse: “Uma vontade de vendê-lo e comprar uma passagem de volta para a terra onde nasci”. O celular, um objeto tão presente em sua vida, agora parecia uma lembrança distante, um símbolo de um mundo que ele estava prestes a deixar para trás.

 

O que diz o cego ao ser ressuscitado para a vida das imagens? "Olhem a beleza das cores!", exclama, e aponta para o céu, para as flores, para a luz do sol. Saindo por aí à toa mostrando o que aparentemente todos não veem. As pessoas o olham com estranheza, sem compreender a intensidade de sua emoção. Por ser tão comum, a beleza da natureza passa despercebida aos normais.

 

Existe um ponto de convergência nos dois discursos. Não falam apenas para si mesmos. Ao contrário, expressam o desejo de que o bem que viram na fonte seja compartilhado com todos. E o bem é de graça, ao alcance de todos. Todavia, os espertos utilizam um véu no rosto que só permite ver o bem dividido, fragmentado. Então, se detêm em almejar apenas um pedaço ou desistem do bem como um todo, pois ele é visto como frágil, sem valor no mundo dos poderosos.

 

E assim, tornando as flores do Mal cada vez mais atraentes e sedutoras. Oferecendo prazer imediato. O poder se apresenta tão próximo das mãos dos espertos, que eles sorriem como se fossem donos do próprio destino. Os astutos se veem como senhores da terra, agarrando-se à esperteza como se fosse o pilar do universo. As crianças, por sua vez, sorriem despertas, constituindo o Reino dos Céus aqui na terra.

 

A esperteza é a ilusão que fundamenta o Reino das Trevas. Seu oposto é o despertar das crianças, que fundamenta o Reino dos Céus. Essa é a revelação conjunta dos moribundos e dos ressuscitados. Os espertos proclamam: "Tenham tudo! Apeguem-se a tudo!". Os despertos, ao contrário, anunciam e praticam o desapego a tudo que tem o poder de aprisionar.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 21 de agosto de 2012 da era da revelação das cores do arco íris.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog