Segredos Revelados – Capítulo 5


O estranho no ninho


Há uma maldição que acompanha o viajante em terras distantes. Muito embora ele seja recebido com generosa hospitalidade, sempre dele será exigido coisas que aos nativos, em geral, não são. Ele, além de estrangeiro, sempre será visto como um estranho.

 

O mais comum é que lhe seja solicitado um atestado de integridade da saúde física e mental e outros semelhantes. Até mesmo comprovantes de qualidades das quais ele nunca se disse possuidor, mas lhe eram atribuídas.

 

"Cure o meu filho. Nem precisas ir ao encontro dele, basta uma palavra tua". Ele é o Enviado! – Prove que cura, prove que tu és o Enviado! A pressão psicológica era imensa. A cura do filho se tornou a única esperança, a única salvação, e o estrangeiro era o alvo de todas as suas expectativas, de todas as suas ansiedades.


Difícil, quase que impossível, satisfazer tamanha expectativa. O estrangeiro, preso em uma armadilha de expectativas irreais, era condenado à exclusão, seja por sua própria vontade ou pela força da comunidade. A desconfiança era a força motriz que impulsionava a rejeição.

 

A figura do estrangeiro, com suas ideias e valores diferentes, despertava inseguranças e medos, levando a comunidade a se fechar em si mesma. A acusação de ser um "usurpador" revelava o desejo de controlar e dominar, de manter o status quo a qualquer custo. Sua identidade, marcada pela diferença, o tornava uma ameaça à coesão do grupo, um corpo estranho a ser rejeitado e controlado.

 

Ao declarar que perdoava quem lhe, por ventura, tenha feito um mal, causou escândalo. Seus valores, tão diferentes dos da comunidade, pareciam uma afronta, uma ameaça à ordem estabelecida. A declaração de amor universal, ainda mais radical, ecoou em um vazio, revelando a incapacidade das pessoas de compreender e praticar esses princípios.

 

A figura do estrangeiro, com seu testemunho vivo de amor e perdão, expunha a hipocrisia e a superficialidade das relações humanas. Seus valores, tão diferentes dos valores dominantes, representavam uma ameaça à ordem social estabelecida, baseada na competição, no individualismo e na busca pelo poder.

 

Terras distantes, aqui, são nada mais que famílias que habitam em territórios de uma mesma nação, mas que - cada uma - forma um mundo particular. Assim, a aproximação de um estranho desperta inseguranças e medos, desafiando a identidade e a coesão do grupo. A necessidade de pertencer a um grupo, de ser reconhecido e aceito, leva as pessoas a construir muros invisíveis que separam o "nós" do "eles".

 

A figura do estrangeiro, presente em todos os níveis sociais, serve como um lembrete constante da fragilidade da identidade e da importância da construção de pontes entre as diferenças. A busca pela identidade e o medo da diferença são experiências universais que transcendem fronteiras geográficas e culturais.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 19 de dezembro do ano de dois mil e doze da revelação da luz do Estranho.


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