Segredos
Revelados – Capítulo 4
O
caminho que me leva a você
Na
travessia do deserto, nunca se sabe o que é mais difícil. Tudo é muito difícil,
no limite do realizável. Até mesmo contemplar a beleza do caminho pode cegar.
Nas horas mais quentes, vejo um lago azul que me chama e vai desaparecendo na
medida em que me aproximo para mergulhar. A semelhança da miragem de ter
encontrado a bem-amada na amiga mais amiga é evidente. Pois, na medida em que
se vai ao encontro desta ilusão, se perde a amiga e a bem-amada não está lá.
Na
travessia do deserto, apreendemos a urgente necessidade de estabelecer uma
aliança. Melhor ter o caminho como aliado do que como inimigo, que retarda a
chegada ao oásis. Nada acontece contra o meu propósito de alcançar o objetivo.
O deserto se apresenta a todos da forma como ele é em si mesmo. Entretanto, se
estabelecida uma aliança no desejo de amar, o deserto estará a meu favor; ele é
o caminho. Na ausência do desejo, é difícil alcançar o amor.
Depois
de um calor abrasador, sinto frio. Não estou com febre, mas é como se
estivesse. Meu corpo estremece e minha alma também. A descoberta de que estou a
caminho agora, que embora
pareça que eu esteja perdido entre dunas móveis, em verdade sinto que estou a
caminho de você. Nesta visão que o deserto me proporciona, tudo estremece e se transforma em mim.
Sinto que esse tremor me
conforta e anuncia que, embora difícil, alcançar o amor é possível.
Na
travessia do deserto, o sol e a areia, trazida pelo vento, escavam a minha alma
na medida em que ferem o meu corpo. A escavação é lenta, mas, como é
permanente, ela se faz profunda. Escavando um leito para que brote um rio de
água viva, o amor, esta escavação é semelhante ao trabalho do maçom que utiliza
o cinzel para retirar da pedra bruta os entulhos que escondem a obra de arte, a
perfeição já existente no interior. Então, o deserto me esculpe, transformando
a minha pedra bruta em pedra polida, pronta para se encaixar em outra pedra,
pronta para a construção da morada do amor.
Chego
à sua presença como tenda de Cedar, envelhecido e cansado. Trago meu ser como
pavilhão de Salma, em festa para ouvir e cantar, envolvido por seu corpo
inteiro, o cântico dos cânticos. Sou seu e você sabe que somos um.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 28
de julho do ano 2012 da revelação da luz em Jesus.
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