Segredos Revelados – Capítulo 6


O Apocalipse de Alef

 

Um dia, o seu pai morreu e ele ouviu a saudação arquetípica.

·       O Rei morreu, viva o Rei”, era chegada a hora de herdar os exércitos do seu pai e ser maior e mais bravo do que ele.

 

Não esperou as lágrimas secarem e gritou para os céus e foi ouvido em toda a terra.

·       O mundo conhecerá a força de Alef, o Maior, e beijará os seus pés.

 

·       À glória!!!

Foi o que ouvi em resposta.

 

Partiu sem nem mesmo dedicar um último olhar à casa em que nascera. Tinha pressa, haveria de conquistar o mundo e conquistou, esmagando sob seus pés qualquer resquício de humanidade. Ao longo do caminho, de vitória e mais vitória, escreveu o seu nome com fogo e sangue dos inimigos e dos seus fiéis companheiros, que, um a um, foram se transformando em soldados obedientes a sua vontade.

 

A cada vitória, o seu exército rapidamente aumentava com a adesão dos guerreiros vencidos e poupados da morte imediata, reunindo sob sua bandeira homens de diversas origens e culturas. Ao ponto em que o número de soldados estrangeiros nas fileiras do seu exército era maior do que o número dos seus guerreiros patrícios.

 

A sua sede por vitórias era insaciável, de modo que nunca haveria um ponto de chegada. Até mesmo enfrentou e venceu a rebelião dos seus que sentiam saudade de casa, dos filhos, da família que deixaram para trás. Impiedosamente, matou todos aqueles que pensaram em recuar.

 

Sabia que não poderia voltar. Na sua terra natal seria presa fácil de seus adversários políticos e de sua mãe. A sede de seu poder teria que ser longe de casa. Agora, quem protegeria e zelaria por seu sono seriam os mercenários estrangeiros que o temiam mais do que o respeitavam.

 

Tudo isso ele via mais uma vez, embora estivesse de olhos fechados. Longe do turbilhão das guerras, alguém lhe deu uma taça de vinho com veneno mortal. Por fim, uma taça lhe iria tirar a vida, embora não a glória. Todavia, não era essa a morte que desejaria para si (nem mesmo para os seus piores inimigos) e ainda tão prematuramente.

 

Certamente imaginou-se morrendo lutando contra novos adversários de outras terras. Entretanto, era chegada a hora de uma nova jornada. Partiria sozinho e entraria no mundo das trevas sem armas e sem luz. Nem o seu corpo físico levaria. Então, tremendo de raiva e medo, fez a sua profecia.

 

·       O Grande Alef viverá na alma de todo aquele que servir a Deusa da Glória e enfrentará sozinho o mesmo caminho que enfrentarei agora”.

 

E assim se fez ao longo de muitos e muitos milênios. E tantos foram os gemidos e sangues derramados que de uma virgem veio à opção pela humildade - no sangue derramado de um único cordeiro de Deus.

 

Agora, amado irmão, sorria e olhe no espelho, talvez você veja a face do Alef - o Adulto - ou o semblante de Jesus – a Criança - que veio para pôr fim ao apocalipse. Ou, até mesmo, veja a dupla vivendo dentro de você.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 13 de outubro do ano de dois mil e doze da revelação da Luz do Cristo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog