Loggia 08 - A discípula que oferece o conhecimento do sagrado

 Existem muitos debates no vazio, particularmente aqueles que buscam opor a verdade revelada e codificada nos livros sagrados ao conhecimento científico. Vazios porque são semelhantes a tentar comparar a água com o fogo. Falta a estes debatedores o mínimo de discernimento: a água limpa, mas só o fogo purifica.

 Existen muchos debates en el vacío, en particular aquellos que se oponen a buscar la Verdad revelada y codificada en los Libros Sagrados al conocimiento científico. Vacíos porque son similares a comparar el agua con el fuego. Le falta a estos debatedores el mínimo de discernimiento: el agua es limpia, pero sólo el fuego purifica.

 O que se observa no discurso dito científico é a premissa de que a realidade é a natureza ordenada pelas leis. Nesta premissa também se encontra a operação imaginária que constitui a ciência. Já nos textos sagrados o que se observa é o registro codificado de imagens. Deus fala ao homem e este faz o registro sagrado da fala divina mediante imagens. Neste registro a linguagem é aquela das imagens e dos símbolos próprios aos sonhos, mais do que aquela de conceitos próprios da ciência. No discurso sagrado encontra-se o mundo intermediário revelado pelo Mestre ressuscitado a discípula mais apta a apreendê-lo.

 Lo que se observa en el mencionado discurso científico es la premisa de que la realidad es la naturaleza ordenada por las leyes. Partiendo de esta premisa también se encuentra la operación imaginaria, que constituyó la ciencia. Ya en los textos Sagrados lo que se observa es el registro codificado de imágenes. Dios habla al hombre y éste hace el registro Sagrado del Habla Divina mediante imágenes. En este registro el lenguaje de las imágenes y los símbolos es aquél propio de los sueños, más que el de poseer los propios conceptos de la ciencia. En el Discurso Sagrado se encuentra el mundo intermediario revelado por el Maestro Resucitado a la discípula mas apta para aprenderlo.

 Nos textos sagrados, particularmente em gênesis, não estamos reduzidos ao dilema do pensamento e do espaço que ocupamos ou ao esquema de uma cosmologia e de uma gnosiologia limitada ao mundo empírico e ao mundo do entendimento abstrato. Entre estes dois, como lembram os mestres Leloup e Corbin, vem se colocar um mundo intermediário, mundo da Imagem ou da Representação, todavia um mundo real.

 En los textos Sagrados, en particular en el Génesis, no se está reducido al dilema del pensamiento y del espacio que ocupamos, o al esbozo de una cosmología y de una gnosiologia limitada al mundo empírico y al mundo del entendimiento abstracto. Entre estos dos, como recuerdan los maestros Leloup y Corbin, se ha de colocar un mundo intermediario, el mundo de la imagen o la representación, todavía un mundo real.      

 Para se ter a percepção deste mundo se faz necessário possuir uma faculdade que lhe é própria, e assim sendo diferente da percepção sensível ou da intuição intelectual. “Esta faculdade é a potência imaginativa, aquela justamente que é preciso nos guardar de confundir com a imaginação que o homem moderno identifica com a fantasia que segundo ele só secreta o imaginário”.

 Para tener la percepción de este mundo es necesario poseer una facultad que le es propia, y diferente de la percepción sensible o de la intuición intelectual. "Esta facultad es la potencia imaginativa, aquella justamente que es preciso resguardar en confundir con la imaginación que el hombre moderno identifica como la fantasía que según él sólo es secreta e imaginario".

 Um exemplo do registro da posse desta faculdade é a mundialmente conhecida descrição que faz Moshé do encontro dele com Deus no monte Sinai: a sarça ardente que não queima. Embora menos conhecida, a presença desta faculdade é maior em Miryam de Mágdala. Ela que era a colaboradora mais íntima do Rabbi Yeschua, e que o amava tanto que nunca adormecia quando ele orava, registra no seu pequeno livro, hoje parcialmente recuperado, o conhecimento deste mundo intermediário. Vejamos um pequeno trecho da página 10.

 Un ejemplo del registro de la posesión de esta facultad es la mundialmente conocida, descripción que hace Moisés del encuentro con Dios en el Monte Sinaí: a la Voz ardiente que no quema. Aunque menos conocida, la presencia de esta facultad es mayor en María  Magdalena. Ella que era la colaboradora más cercana del Maestro Jesús, y que lo amaba tanto  que nunca adormecia cuando El oraba, registra en su pequeño libro, ahora recuperado parcialmente, el conocimiento de este mundo intermediario. Veamos un pequeño fragmento de la página 10.

 Miryam lhes disse: Aquilo que não vos foi dado escutar, eu vos anunciarei: eu tive uma visão do Mestre, e eu lhe disse: - ‘Senhor, eu te vejo hoje nesta aparição’. Ele respondeu: - ‘Bem-aventuradas, tu que não te perturbas à minha vista. Onde está o nous aí está o tesouro’. Então eu lhe disse: - ‘Senhor, no Instante, aquele que contempla Tua aparição, é pela alma (psique) que ele vê? Ou pelo espírito (pneuma)?’ O Mestre respondeu: - ‘Nem pela psique e nem pelo pneuma; mas o nous estando entre os dois, é ele que vê e é ele que... ’

 María dijo: Aquello que no fué dado a escuchar, anunciaré: yo tuve una visión del Maestro, y me dice: - "Señor, yo te veo hoy en esta aparición. "Él respondió: -" Bienaventuradas, tú que no te perturbas a mi vista. ¿Dónde está el Nous ahí está el tesoro'. Entonces le dije: - ¡Señor, en el instante, aquel que contempla Tu aparición, es el alma (psique) que ve? o el espíritu (pneuma)? "El Maestro contestó: -" Ni la psique, ni por el pneuma, pero el Nous estando entre los dos, es él que ve y es él quien... '

 Como se pode observar nesta passagem o modo de construir o sentido, o modo de interpretar, não repousa sobre o mesmo fundamento da ciência. Miryam fala nesta passagem - dando resposta a Pedro que lhe pedia mais conhecimentos das revelações do Mestre - e nos revela o seu desejo de despertar em cada um de nós a imaginação criadora. Todavia, este despertar encontrará um obstáculo na filosofia dos sentidos e da razão, que no próprio evangelho de Miryam será encarnada por Pedro.

 Como puede observar en este pasaje la manera de construir el sentido, la forma de interpretar, no descansa sobre el mismo fundamento de la ciencia. María habla en este pasaje - respondiendo a Pedro que le pedía más conocimiento de las revelaciones del Maestro - y nos revela su deseo de despertar en cada uno de nosotros a la imaginación creadora. Sin embargo, este despertar encontrará un obstáculo en la filosofía de los sentidos y de la razón, que en el mismo Evangelio de María será encarnado por Pedro.

 As consequências éticas de uma prática do desejo e da imaginação esclarecida não deixaram de chocar até alguns dos primeiros discípulos do Rabbi Ieschua, assim como continua a chocar muitos homens de hoje. Não é por acaso que Miryam - a discípula que oferece o conhecimento do sagrado a todo aquele que queira receber e tenha ouvido para a escuta - é evocada como a pecadora. Pois sem dúvida, é um fato que o Rabbi Ieschua não veio criar nenhum novo “ismo”, portanto, deve-se a imaginação esclarecida de Miryam e ao seu amor ao Deus-Homem, as condições que propiciaram a criação do cristianismo: o anúncio de que Ieschua foi sacrificado como o cordeiro e ressuscitou no terceiro dia como um Deus libertador.

 Las consecuencias éticas de una práctica de deseo y la imaginación ilustrada no dejaron de chocar a algunos de los primeros discípulos del Maestro Jesús, y sigue asustando a muchos hombres de hoy. No es casualidad que María - la discípula que ofrece el conocimiento de lo Sagrado a todo aquel que desee recibir y tenga oído para escuchar - es evocada como la pecadora. Sin duda es un hecho que el Maestro Jesús no fundamenta crear ningún nuevo "istmo", por lo tanto, se debe a la imaginación de María y su amor a Dios-Hombre, las condiciones que propiciaron la creación del cristianismo: el anuncio de que Jesús fue sacrificado como el cordero y resucitó al tercer día como un Dios liberador.

 Um Dia de Sol para todos nós.

 Un día de Sol para todos nosotros.

 Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 19 de março de 2008 da Revelação do Cristo.

 Tradução para o espanhol: Maria Consuelo

 Referências básicas:

1.  A Bíblia de Jerusalém. Edições Paulinas, 1973.

2.  Uma Igreja que Acredita. Edições Paulinas, 1999.

3.  Caminhando na Estrada de Jesus. Edições Paulinas, 1996.

4.  O Evangelho de João. Jean-Yves Leloup. Editora Vozes, 2000. 

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