Lições do Cotidiano – Capítulo 11

Deus é
Mãe?
Um
sacerdote amigo, em um gesto de compaixão, revela ao intelectual moribundo e
ateu a face de Deus como mãe. A revelação o invade com uma paz tão profunda que
o transporta a outro estado de consciência. Aquele que negou a existência
divina por toda a vida agora encontra refúgio em uma figura materna, plena de
consolação e misericórdia. É como se a morte, iminente e inevitável, se
transformasse em um portal para um novo tipo de existência, onde todos os sofrimentos
cessariam.
Essa
dualidade entre vida e morte, presente em diversas tradições espirituais,
encontra eco na experiência humana. É morrendo que renascemos, que nos
libertamos das amarras do ego e nos abrimos para uma realidade mais ampla. A
morte não é o fim, mas uma transição, um retorno à fonte de toda a vida. A
imagem da mãe, que nutre, protege e acolhe, simboliza essa força primordial que
nos sustenta em todas as fases da existência.
Quase
todos nós, como o ateu moribundo, negamos a presença de Deus em cada instante,
buscando em outras coisas – poder, riqueza, sucesso – uma forma de preencher o
vazio existencial. Ironicamente, até mesmo Jesus, em um momento de fraqueza,
questionou a vontade divina. No entanto, a morte nos confronta com a verdade
inelutável: somos finitos e interdependentes.
Fugimos
da certeza da morte, assim como negamos a presença constante de Deus. Ainda que
acreditemos em um julgamento final, a verdade é que somos julgados a cada
instante por nossas ações. Nossas escolhas moldam nossas experiências, e as
consequências são imediatas. O que chamamos de julgamento final é apenas o
desenrolar natural das sementes que plantamos ao longo da vida.
Todos
perdoam o falecido e se perdoam mutuamente pelos erros cometidos. Desejam que
ele encontre paz no reino divino. A morte parece sorrir para aqueles que
encontram paz na aceitação e no perdão. No entanto, a morte revela uma verdade
profunda: a importância de abraçar a nossa humanidade em cada momento. Os
padres do deserto nos ensinaram que a eternidade se alcança vivendo plenamente
a nossa humanidade, em cada ato do cotidiano.
Deus
enviou o Filho para nos mostrar o caminho. É preciso ser humano para perceber a
presença divina. Viver no reino de Deus é, antes de tudo, viver a própria humanidade.
Uma jornada que se revela aos poucos, mas que, para muitos, ainda é um
mistério.
A
cruz, símbolo do sofrimento e da redenção, nos lembra que a vida é um caminho
de transformação. A morte, inevitável para todos, pode ser vista como um
convite para uma nova jornada. Seja qual for o significado que atribuímos a
ela, a morte nos convida a refletir sobre a nossa existência e a buscar um
sentido mais profundo para a vida.
Ao
longo dessa jornada, encontramos momentos de alegria e tristeza, de sucesso e fracasso.
Aprender a lidar com as adversidades e a celebrar as conquistas é fundamental
para nosso crescimento espiritual. A compaixão, a empatia e o amor ao próximo
são companheiros inseparáveis nessa viagem.
A
morte, ao final, é apenas mais uma etapa dessa jornada. Ela não é um fim, mas
uma transição. Ao abraçar a morte como parte da vida, encontramos a paz
interior e a liberdade para viver plenamente cada momento.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 21 de setembro do ano 2011 da revelação do nome de Deus.
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