A Imensidão

Eu Sou Entre Nós

Por Hiran de Melo

Houve um tempo em que o sagrado habitava tão alto que ninguém ousava pronunciar o seu nome.

Os antigos diziam que existia apenas um Ser absoluto, eterno e insondável. Seu nome não podia ser dito. O silêncio era a única linguagem suficientemente digna para aproximar-se dele. Quando muito, registravam-no por quatro consoantes, como quem escreve um mistério sem jamais pretender possuí-lo.

Traduzimos esse mistério por uma expressão simples:

Eu Sou.

Não era um nome.

Era uma existência.

Os sacerdotes afirmavam ser os guardiões desse mistério. Eram mediadores entre Deus e os homens, responsáveis por preservar a santidade do mundo. Em nome do "Eu Sou", ergueram templos, instituíram leis, organizaram ritos e ofereceram incontáveis sacrifícios.

Durante séculos acreditou-se que o sangue dos inocentes poderia aproximar a humanidade do Absoluto.

Mas o sangue nunca conseguiu ensinar aquilo que somente o amor poderia revelar.

Mesmo assim, permanecia viva uma esperança.

Um dia viria o Messias.

Não desceria do céu cercado de glória.

Nasceria como qualquer criança.

Cresceria como qualquer homem.

Seria reconhecido não pelo poder de dominar, mas pela capacidade de libertar.

Quando finalmente apareceu, quase ninguém percebeu.

Porque o olhar acostumado ao espetáculo dificilmente reconhece a simplicidade.

Ele não ocupava cargos.

Não fazia parte da elite religiosa.

Não reivindicava privilégios.

Sentava-se ao lado dos esquecidos, caminhava entre os doentes, conversava com pecadores e permitia que cada pessoa descobrisse, dentro de si, uma dignidade que havia sido soterrada pelo medo.

Jamais disse ao cego:

— Eu vim lhe dar a visão.

Foi o próprio cego quem, ao acreditar, abriu espaço para enxergar.

Por isso suas palavras surpreendiam:

"A tua fé te salvou."

Não era uma declaração de poder.

Era uma devolução da responsabilidade.

O Cristo não criava a luz.

Despertava a luz que já habitava quem o procurava.

Foi exatamente isso que tornou sua presença insuportável para aqueles que administravam o sagrado.

Enquanto os sacerdotes afirmavam que apenas Deus podia perdoar, Ele oferecia reconciliação.

Enquanto diziam que somente o templo era santo, Ele fazia da mesa dos pobres um altar.

Enquanto anunciavam um Reino futuro, Ele revelava que o Reino começava ali, no coração capaz de amar.

O problema nunca foi um milagre.

O problema era outro.

Se Deus pudesse habitar diretamente no ser humano, toda forma de monopólio sobre o sagrado perderia o sentido.

Então veio a pergunta que encerrava todas as possibilidades.

— Tu és o Filho de Deus?

A resposta foi tão breve quanto eterna.

— Eu Sou.

Naquele instante, não pronunciava apenas um nome.

Revelava uma identidade.

Não a identidade exclusiva de um indivíduo, mas a presença do próprio Ser manifestando-se plenamente na consciência humana.

A cruz tornou-se inevitável.

Sempre que o amor desmonta os mecanismos do medo, o medo reage.

Sempre que a liberdade aparece, o poder sente-se ameaçado.

Foi crucificado.

Foi sepultado.

Mas aquilo que verdadeiramente era jamais poderia ser aprisionado pela morte.

A ressurreição não começa no terceiro dia.

Começa no instante em que alguém descobre que a vida é maior que o medo.

Foi por isso que Maria Madalena o reconheceu antes dos demais.

Não porque enxergasse melhor.

Mas porque permaneceu onde a esperança ainda respirava.

Desde então, a pergunta deixou de ser:

Onde está Deus?

A pergunta tornou-se outra:

Onde permitimos que Ele desperte?

O "Eu Sou" deixou de habitar apenas o Santo dos Santos.

Passou a caminhar pelas estradas.

Sentou-se à mesa dos pecadores.

Tocou os leprosos.

Abraçou os excluídos.

E fez do coração humano o verdadeiro templo.

Talvez seja esse o maior escândalo do Evangelho.

Cristo nunca pretendeu substituir a consciência humana.

Veio despertá-la.

Não para que deixássemos de ser quem somos.

Mas para que descobríssemos quem sempre fomos antes do medo nos ensinar a viver separados.

A salvação, então, deixa de ser um prêmio concedido por uma autoridade externa.

Transforma-se numa experiência interior de reconciliação.

É quando o ego deixa de ocupar sozinho o centro da existência e abre espaço para uma presença mais ampla, mais silenciosa e infinitamente mais amorosa.

É nesse instante que compreendemos a frase que atravessa os séculos.

O "Eu Sou" nunca esteve distante.

Sempre esteve entre nós.

E talvez a revelação mais profunda seja ainda outra:

o Cristo não veio apenas anunciar que Deus está entre nós.

Veio revelar que somente quando aprendemos a reconhecer o Cristo no outro é que finalmente descobrimos o Eu Sou que habita em nós.

A Imensidão - Eu Sou entre nós

 Yo Soy entre nosotros

Por Hiran de Melo

 Os mais velhos contam que os muitos mais velhos e que já se foram, testemunharam o que lhe passo a contar. Existia um povo formado por doze tribos. Eles acreditavam na existência de um Ser Único cujo nome não poderia ser pronunciado. O máximo que se poderia dizer sobre Ele só se escrevia com letras consoantes, mas dizem que posso traduzir apenas por: Eu Sou.

 Los más viejos cuentan que los más viejos y que ya se fueron, dieron testimonio de lo que paso a narrar. Existía un pueblo formado por doce tribus. Ellos creían en la existencia de un Ser Unico, cuyo nombre no podía ser pronunciado. Lo máximo que se podía decir sobre El solo se escribía con letras consonantes, pero dicen que se puede traducir por Yo Soy.

 Os sacerdotes do Eu Sou afirmavam que apenas Ele pode perdoar. Perdoar significa tornar o ser livre de um sofrimento. O ser perdoado estaria livre, salvo da dor.

 Los sacerdotes de Yo Soy afirmaban que El puede perdonar. Perdonar significa volver al ser libre de un sufrimiento. El ser perdonado sería libre, salvado del dolor.

 Um ser não poderia perdoar outro ser, apenas o Ser Único tinha a prerrogativa do perdão. Um ser não poderia nem perdoar a si mesmo.

 Un ser no podría perdonar a otro ser, solo el Ser Unico tenía la prerrogativa del perdón. Un ser no podría ni perdonarse a sí mismo.

 Os sacerdotes do Eu Sou afirmavam que ocupavam o cargo de representantes, intermediários do Ser Único, por escolha do próprio e não por livres e espontâneas vontades. Estavam, portanto, a serviço de uma causa maior, e não a serviço dos seus próprios interesses. Eram, homens santos. Santificados pela aceitação da missão de servir ao Ser Único. Nesta missão exigiam sacrifício de sangue de cordeiros. E assim, durante muitos anos, do templo sagrado à gloria do Eu Sou emergia um mar de sangue de inocentes.

 Los sacerdotes de Yo Soy afirmaban que ocupaban el cargo de representantes, intermediarios del Ser Unico, por elección propia y no por libre y espontánea voluntad. Estaban, por lo tanto, al servicio de una causa mayor y no al servicio de sus propios intereses. Eran hombres santos. Santificados por la aceptación de la misión de servir al Ser Unico. En esta misión exigían sacrificio de sangre de cordero. Y así, durante muchos años, del templo sagrado a la gloria de Yo Soy emergía un mar de sangre de inocentes.

 Eles afirmaram durante séculos que no amanhã o Ser Único enviaria um Messias que teria como missão salvar definitivamente todos os fiéis, vivos ou mortos. O Messias não viria na forma de um Deus, mas encarnado no corpo de um homem. Mas, seria fácil reconhecê-lo, pois, Ele teria o poder de salvar.

 Ellos afirmaron durante siglos que en un mañana el Ser Unico enviaría un Mesías que tendría como misión salvar definitivamente a todos los fieles vivos y muertos. El Mesías no vendría en forma de un Dios sino encarnado en el cuerpo de un hombre. Sin embargo, sería fácil reconocerlo, pues, El tendría el poder de salvar.

 Ele nasceria como qualquer humano, mas a sua mãe seria uma virgem. O que significava dizer que a escolhida seria uma mulher cuja fé no Eu Sou era incondicional. A sua fé estaria acima de tudo. Era uma serva do sagrado, assim como seria o seu filho amado, o Messias enviado.

 El nacería como cualquier humano, y su madre sería una virgen. Lo que significaba que la elegida sería una mujer cuya fe en el Yo Soy era incondicional. Su fe estaría por encima de todo. Era una sierva de lo sagrado, así como sería su hijo amado, el Mesías enviado.

 Um dia um homem diante de um tribunal de sacerdotes foi julgado por apresentar os sinais de ser ele o Messias. Todavia, Ele não nascera e nem era um dentre os sacerdotes, assim foi considerado uma ameaça aos interesses da castra sacerdotal.

 Un día un hombre delante de un tribunal de sacerdotes fue juzgado por representar las señales de ser el Mesías. Pero aún El no nacería y tampoco era uno entre los sacerdotes, entonces fue considerado una amenaza a los intereses de la casta sacerdotal.

 O Grão Sacerdote estava furioso. Como condenar alguém por apenas afirmar "tua fé ti curou"?

 El Gran Sacerdote estaba furioso. Cómo condenar a alguien por solo afirmar tu fe te curó ?

 Ele não ia ao encontro do cego e lhe dizia eu vim lhe dá a luz. Era o cego que o escolhia e lhe pedia a luz, para tanto, apenas reconhecendo Nele o Messias esperado.

 El no iría al encuentro del ciego, le decía yo vine a dar la luz. Era el ciego que lo elegía y le pedía la luz, así, solo reconociendo en El al Mesías esperado.

 Ele também não afirmava que tinha salvado o cego, ao contrário. Afirmava que tudo que Ele fazia, era a vontade do Pai. Mas, afirmava também que qualquer um poderia ser seu irmão. E nesta condição de irmão, poderia também ser instrumento da paz do Ser Único.

 El tampoco afirmaba que había salvado al ciego, al contrario. Afirmaba que todo lo que El hacía era la voluntad del Padre. Pero, afirmaba también que cualquiera podría ser su hermano. Y en esta condición de hermano, podría también ser instrumento de paz del Ser Unico.

 Um Messias manso era uma face, um semblante da paz, todavia, também era o perturbador da Ordem reinante na Cidade da Paz. Assim considerava o Grão Sacerdote. Mas, como fazer para condená-lo a morte na cruz?

 Un Mesías era un rostro manso, un semblante de paz, sin embargo era el perturbador de la Orden reinante en la Ciudad de la Paz. Así lo consideraba el Gran Sacerdote. Pero, cómo hacer para condenarlo a muerte en la cruz?

 Então, sacou da pergunta que só possuía uma resposta.

 Entonces, sacó la pregunta en la que sólo había una respuesta:

 – Tu és filho de Deus?

- Tú eres el hijo de Dios?

– Eu Sou.

- Yo Soy

 Foi crucificado, morto e sepultado e no terceiro dia ressuscitou para os olhos da discípula que não perdera a esperança. E ela anunciou a nova forma de re-ligação com o Eu Sou. Aquele que crê contemplará a ressurreição em vida. Sentirá que o Eu Sou habita entre nós.

 Fue crucificado, muerto y sepultado y en el tercer día resucitó para los ojos de la discípula que no perdía la esperanza. Y ella anunció la nueva forma de re-ligar con el Yo Soy. Aquel que cree contemplará la resurrección en vida. Sentirá que el Yo Soy habita entre nosotros.

 Hoje tudo isto é dito em uma formula simples. Quem curou o cego não foi o filho do homem, mas a presença do Cristo Nele que possibilitou o despertar da consciência da existência do Cristo no próprio cego.

 Hoy todo esto está dicho en una fórmula simple. Quien curó al ciego no fue el hijo del hombre, sino la presencia del Cristo en El que posibilitó el despertar de la consciencia de la existencia del Cristo en el propio ciego.

 Amado irmão, o Cristo, o Desperto que habita em você pode salvá-lo e sem haver necessidade de matar o ego que fala por você. Basta ouvir a voz que vem do oásis que habita o deserto: “levantas a tua cruz e vais”.

 Amado hermano, el Cristo, el Despierto que habita en tí puede salvarte sin necesidad de matar al ego que habla por tí. Basta oír la voz que viene del oasis, que habita en el desierto: "toma tu cruz y sígueme".

 Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 28 de fevereiro de 2010 da Revelação do Cristo.

 Traducción libre al español: María Consuelo Alvarez

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog