A vida boa – Capítulo 13
O caminho que cura, salva e liberta
Um
sobrinho me disse que sua mãe, apesar dos 50 anos, aparentava trinta. Não posso
confirmar se ela tinha os tais cinquenta, mas ela aparentava trinta. Ah, ela
aparentava trinta anos!
Já
eu, hoje, sou quase o oposto: tenho aparência de quem possui mais idade. E de
fato possuo. Vivi tudo com tamanha intensidade, presença e ardor que,
consequentemente, acelerei o tempo.
Hoje,
não mais impulsionado pela pressa, procuro frear o tempo. Desejo que o que está
por vir se desenrole com lentidão e suavidade, permitindo-me receber tudo com
serenidade e acolhimento.
Ao
observar a mãe do meu sobrinho, percebi sua pressa em viver, como se cada
instante fosse um degrau a ser rapidamente superado. Eu, no entanto, tenho
caminhado com mais calma, saboreando cada passo e me despedindo de tudo com
gratidão, como se estivesse deixando para trás uma parte de mim.
Escrevo
estas palavras, guiado pelo desejo de honrar o pedido do Sapientíssimo Mestre
Josivan. Refletir sobre o tempo e sua
influência sobre nós é uma jornada complexa, mas a admiração que nutro por seu
trabalho me impulsiona a tentar, mesmo que minhas palavras pareçam
insuficientes.
Ao
longo da jornada, colecionei momentos preciosos como se fossem pedras reluzentes.
Acreditava eu que precisaria poli-las para revelar sua verdadeira beleza.
Contudo, com o passar dos anos, a carga se tornou pesada demais. Assim, resolvi
devolver cada pedra ao caminho, permitindo que brilhassem com a luz que a vida
lhes oferecesse.
Hoje,
as pedras que encontro no caminho não mais pesam em meu coração. Observo-as com
a calma de quem já compreendeu a efemeridade de tudo. A beleza, como o tempo, é
um dom inestimável. Agradeço a cada pedra, mesmo às que me causaram tropeços,
pois todas fizeram parte da minha jornada.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, aos trinta e um dias do mês de janeiro de 2014 da revelação da palavra que salva, cura e liberta.
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