A vida Boa – Capítulo 1
"Meu irmão, um dia quando eu partir virei lhe dá um sinal". Armando Osório de Amorim Pereira
Penso que, em geral, quando um homem morre o ser que nele habita parte e o ter fica como herança. Todavia, os verdadeiros herdeiros são os que guardam na memória os feitos e ditos do ser que partiu. Hiran de Melo
Quando parte o ser que habita no homem
Quando
um filho parte para outra cidade, em busca de uma melhor qualificação
profissional e de um futuro mais promissor, os pais sentem a dor da separação.
Afinal, mesmo sabendo que essa partida é importante para o crescimento do
filho, a saudade é inevitável.
Da
mesma forma, quando o pai precisa se ausentar, mesmo que por um curto período,
a dor da separação é sentida pelos filhos. A falta da presença física de quem
se ama é uma ferida que aperta o coração.
A
dor da separação, intensificada pela ausência eterna, transcende qualquer
descrição. As imagens que evocamos apenas nos dão um vislumbre da imensidão
desse sofrimento.
A
incerteza do destino final não diminui a beleza da jornada. Assim como as águas
fluem incessantemente em direção ao mar, nós também somos levados pela corrente
da vida para um destino certo, onde encontraremos a paz eterna. Todos nós um
dia chegaremos à Casa do Pai; a infinita Imensidão aguarda todas as finitudes
que lhe pertence.
Todos
sabemos, todos compreendemos, que a partida é inevitável, e é para o melhor.
Todavia, choramos. Choramos porque sofremos, sofremos porque amamos aquele que
parte. Todos os filhos choram a partida do pai. E como eles, choram os
familiares que ficam, todos os entes queridos, todos os amigos; e com eles
chora, também, a bem-amada.
Em
uns a dor leva a um choro sonoro, longo, desesperador, e com isso, chama,
amplia o choro dos demais. Não há como escapar do aperto no coração e das
lágrimas que manifestam a emoção tão trabalhosamente contida.
Em
outros a dor leva ao oposto, a um choro interior, que se apresenta como uma
serenidade celestial. Mas, não se enganem, esta dor é, talvez, até maior. Nunca
menor. E, em quem deste jeito sente a separação, muitas vezes o sofrimento se
alonga mais do que no outro que se desesperou. Assim é a vida.
Pouco
sabemos sobre a Casa do Pai, muitos imaginam como seja. Para uns, existe uma
porta estreita. Para outros, na Casa do Pai existem incontáveis entradas. Para
uns, só existe um caminho e, para outros, os caminhos são múltiplos.
Assim,
como as gotas de água inevitavelmente um dia chegarão ao oceano. Algumas tão
puras quanto estavam ao tocar a terra pela primeira vez. Outras, ao contrário,
levando consigo as impurezas das terras que banharam. De qualquer jeito, todas
um dia estarão no lugar do qual partiram originalmente, o oceano.
Assim
somos nós, os humanos, filhos da Imensidão, todos partimos na direção da Casa
do Pai. O corpo físico, pertencente à terra, é pó e ao pó voltará. A alma, a
psique, permanecerá como parte do ser humano. O que retornará ao Pai é a parte
divina que habita em nós. E por essa razão, ela tem que retornar, como filho
que é, ao Pai.
Tenho
um amigo, querido amigo, que assistiu a partida definitiva do irmão, mesmo
antes de ver o corpo inerte. Sentiu por que a parte divina que habitava nele
veio se despedir. Veio à casa dele, veio voando como uma gaivota. E não veio
sozinha.
Chamou-o
gritando alegremente na varanda da sua casa. Provocando a atenção dos que lá se
encontravam, e não parou de cantar até que o irmão a viu. Então, ela voou na
direção das Nuvens, mesmo a noite tendo já chegado e a lua se demorando a
iluminar os Céus.
E
assim, na forma de um ser alado, deu o prometido. Só o amor consente isso...
porque é exatamente entre os que se amam que se encontra o lugar a onde o amor
habita.
Poeta Hiran de Melo, oráculo de Melquisedec, ao primeiro dia do mês em que se inicia a temporada dos banhos ao mar, no ano de 2014 do anúncio de que Deus é o Amor.
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