A vida boa – Capítulo 6
“Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer no seu lugar santo? O que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, seu Salvador..”
O projeto e a fronteira
Muitas
vezes estamos diante de uma fronteira, mas não a reconhecemos, mesmo que
existam placas sinalizadoras. É que nem sempre a ultrapassagem da fronteira
significa mudanças visíveis e imediatas. Contudo, elas virão.
É
possível que o viajante, ao ultrapassar uma fronteira, esteja de posse de um
projeto. Neste caso, é uma passagem consciente. No entanto, nem sempre isso
acontece. Frequentemente, o viajante vai "sem lenço ou documento, nada no
bolso ou nas mãos", como canta o poeta.
É
simbólico, mas para o ingresso na Ordem se exige do candidato duas condições: o
desejo consciente de entrar e, ao mesmo tempo, a ausência de qualquer
conhecimento prévio sobre a Ordem. Ele deve ser aceito "sem nenhum
conhecimento prévio", livre e de bons costumes. Deve querer
conscientemente servir ao próximo, realizando assim o projeto da humanidade
anunciado pelos profetas. Mas deve estar desapegado dos tesouros da vida velha.
Dentre esses tesouros, encontra-se, sem dúvida, um projeto elaborado na base do
egocentrismo.
Na
iniciação, será perguntado a você: o que é o vício e o que é a virtude? O que
distingue um bom costume de um mau?
Nas
sessões, será anunciado repetidamente que a missão do obreiro é construir templos
à virtude e masmorras ao vício.
Mas,
amado irmão, qual é o seu projeto ao ingressar na Ordem? Seria ser acolhido,
amado pelos seus novos irmãos e protegido dos seus inimigos, como se canta no
Salmo 23?
Seria
amar e proteger o próximo, mesmo o desconhecido. É possível que, se o seu
projeto for de doação, você sempre esteja recebendo em troca. Por outro lado,
se o seu projeto for de receber para depois doar, você pode nunca alcançar essa
meta.
Exortação
Na
iniciação maçônica, esses questionamentos se tornam ainda mais evidentes. O
candidato é convidado a refletir sobre a natureza do vício e da virtude, e a
distinguir entre bons e maus costumes. Essa jornada de autoconhecimento é
fundamental para construir os alicerces do templo interior. A cada sessão, o
obreiro é lembrado de que sua missão é erguer esse templo, tijolo por tijolo, e
ao mesmo tempo, desmantelar as masmorras do ego. Mas quais são os tijolos que compõem esse templo? São
as virtudes que cultivamos, os
valores que abraçamos e o amor
que irradiamos. E quais são as ferramentas que utilizamos nessa construção? A
meditação, a oração, o serviço ao próximo e a busca constante pela verdade.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 30 de agosto de 2010 da Revelação do Cristo.
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