A vida boa – Capítulo 15

Divagações em uma noite fria e escura

 

Jesus disse: 'Amai o próximo'. Em seguida, falou em amar o inimigo. Não mencionou simplesmente 'amar o outro'. Talvez a dificuldade em amar o próximo esteja no fato de que ele, por estar próximo, revela mais de nós mesmos. Amar o inimigo declarado, paradoxalmente, pode ser mais fácil do que amar o próximo.

 

Afinal, o inimigo declarado está à distância, enquanto o próximo, por sua proximidade, revela nossas próprias sombras. O narcisista, por exemplo, ao ver no outro apenas um reflexo de si, evita o confronto com suas próprias imperfeições.

 

Josivan, meu sábio amigo, me alertou a observar Jesus. Ele declarava aos estranhos que o rodeavam como se fossem sua família, mesmo quando seus familiares biológicos foram apresentados, revelando a importância do amor espiritual.

 

A mesma atitude se atualiza em Francisco, outro exemplo de Cristo. Ele amava deliberadamente e gratuitamente aqueles que precisavam de amor e compaixão, sentindo-se assim um cumpridor e anunciador do Evangelho. No entanto, renunciou a uma possível relação mais próxima com seu pai biológico.

 

Estas são as questões místicas que me comovem", declarou finalmente meu sábio amigo. Ele me confessou o quanto sofria com o distanciamento que sentia ao tentar se aproximar cada vez mais de seus familiares. Quanto mais se aproximava, mais distante se sentia. Quanto mais renunciava, menos compreendido se sentia. Era como se suas demonstrações de amor fossem interpretadas como fraqueza.

 

Isto mostra o quanto é difícil o amor fraterno, que reside em conhecer o outro para amá-lo plenamente e em permitir-se ser amado em troca.

 

Um outro mestre, meu amigo, comentou que tudo isso era muito complexo, um verdadeiro mistério. O amor gratuito é como o ar que respiramos: essencial, mas muitas vezes negligenciado. Por ser algo tão presente, esquecemos seu valor e o recebemos de forma displicente.

 

Então, uma pergunta pairava no ar: de quem buscamos o conhecimento, o reconhecimento e o encontro? Um mestre, meu amigo, respondeu que não era exatamente um anseio, um desejo ardente. Há muito tempo, ele havia superado esse tipo de desejo intenso. Em vez disso, ele falou sobre o conhecimento como base para relações mais profundas e confiantes.

 

A meta era a confiança mútua: confiar no outro e ser confiável. Por isso, a chave era o reconhecimento. Reconhecer o outro e a si mesmo, aceitando os conhecimentos mútuos, era o caminho para cultivar a confiança.

 

Por fim, ele confessou sentir falta de uma dimensão mais profunda do amor: a confiança mútua. Acreditava que o verdadeiro companheirismo transcendia a simples convivência, e que era alicerçado nessa confiança. Ao final, tive a sensação de que amar o próximo não é apenas um comando, mas uma profecia a ser cumprida: Amarás o próximo como a ti mesmo.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 10 de outubro de 2010 da Revelação do Cristo. 

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